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O ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, anunciou que o Governo irá avançar com duas linhas ferroviárias de velocidade elevada, para passageiros e mercadorias, em bitola europeia que irão ligar Aveiro a Salamanca e Sines a Madrid. Durante a sua prestação no programa Prós e Contras, da RTP1, Álvaro Pereira referiu que “para nós é muito importante termos linhas mistas de passageiros e mercadorias em bitola europeia que vão de Sines até Madrid, mas também garantir que as linhas não podem parar em Madrid. É muito importante que as linhas no norte de Espanha, a nível de mercadorias, estejam construídas”. |
O ministro referiu ainda que o Governo percebeu que “no Plano Estratégico de Transportes, que será apresentado esta semana, a única linha em bitola europeia não pode ser apenas a linha de Sines. É essencial que haja uma linha que ligue o norte do país ao resto da Europa. Essa linha partirá de Aveiro, através da Linha da Beira Alta, em bitola europeia”. O governante disse que “a União Europeia confirmou que os fundos que estavam alocados ao TGV e outros grandes projetos de investimentos poderão ser realocados para estes projetos, que irão aumentar a competitividade da economia portuguesa”. O ministro fez ainda referência ao facto de que as grandes obras públicas devem estar viradas para aumentar a competitividade da economia portuguesa e para baixar os custos das exportações. E garantiu que “não é o TGV que nos vai dar competitividade. O que nos vai dar competitividade são linhas de mercadorias da mesma dimensão que existem na União Europeia”. Esta estratégia, de acordo com o Governo, vai igualmente ao encontro à que está a ser tomada e que passa por uma aposta maior nos portos, tal como referiu Álvaro Santos Pereira: “para nós os portos são fundamentais. Temos o maior porto de águas profundas da Europa, que é Sines. Temos outros portos de elevado potencial, que será muito maior quando, em 2014, o Canal do Panamá for alargado e que vai permitir a passagem de navios de maior porte, ou seja, navios que vêm da Ásia e da parte Oeste da América do Norte e América Latina”.
«Medida vai ao encontro às nossas reivindicações» Joaquim Polido – ADFERSIT
Em declarações à Transportes em Revista, o presidente da ADFERSIT – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento dos Sistemas Integrados de Transportes, Joaquim Polido, mostrou-se bastante satisfeito com o anúncio feito pelo ministro da Economia, revelando que «nos últimos anos, foi das poucas vezes em que o Governo tomou uma decisão que vai ao encontro às nossas reivindicações». Joaquim Polido diz que a ADFERSIT tinha já dado a conhecer à Tutela as suas opiniões, principalmente sobre o tema do corredor atlântico para mercadorias, que defende que “a prioridade para Portugal deveria ter sido sempre a construção da linha mista e bitola europeia de Aveiro a Vilar Formoso e daí à fronteira francesa, do lado do Atlântico, pelo trajeto mais curto, por Salamanca, Valladolid e País Basco (corredor Atlântico). No que diz respeito às mercadorias, esta Linha serve bem todo o território português, pois liga à nossa rede ferroviária mais a norte que a Linha Lisboa-Madrid”. Para o presidente da ADFERSIT «é essencial a ligação em bitola europeia aos portos do norte do país para que estes não fiquem isolados». No entanto, Joaquim Polido refere que tem de «perceber melhor» as declarações do ministro em relação à linha da Beira Alta ressalvando que não é altura para entrar em especulações, dado que ainda não são conhecidos os detalhes dos dois projetos. De acordo com Polido «o importante é que existam linhas que sejam mistas, para passageiros e mercadorias, em bitola europeia, de modo a permitir a interoperabilidade».
in TRANSPORTES EM REVISTA - Setembro 2011; Autor: Pedro Pereira
[fonte: Artigo original - site da Transportes em Revista]